quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Encontro do dia 24/09/09


       Neste encontro retomamos alguns pontos dos TPs estudados como encerramento da 1ª etapa e como propósito do curso(gestar II). Combinamos a mudança do local de nossos próximos encontros.
   Comentários sobre o andamento do Projeto LeiturAção nas escolas e das leituras que devem ser agregadas ao dia consagrado com a presença do autor.

    Assunto do TP5 Estilo, Coerência e Coesão
        Definição: coesão - interna - microestrutura do texto.
                           coerência - externo - macroestrutura do texto.
        .       
TP5 p.167. Leitura do texto Ampliando nossas referências - que aborda teorias de diferentes autores, citados por Ingedore Koch, no seu livro A coesão Textual.
         "Concluindo, pode-se afirmar que o conceito de coesão textual diz respeito a todos os processos de sequêncialização que asseguram (ou tornam recuperável) uma ligação linguística entre os elementos que ocorrem na superfície textual." (p.167,TP5)
         
Em duplas: responder as atividades da p.168 - em relação ao texto das p.166/167.

Textos "Circuito Fechado" de

                        e "Vidinha Redonda" de uma aluna. -  observando a coerência e coesão nos mesmos.
        p.143. Texto "Segredos da Seda" - realizamos as atividades e refletimo-las.

       Vídeo Tribalistas (gravado na execução do mesmo) música Passe em casa,p.156.
      Vídeo, para refletir e descontrair.( subi pra cima, desci pra baixo, entre outros).
                 Ri melhor quem ri na escola - quando o texto humorístico é também pedagógico.

      Modelos de atividades que podem ser trabalhadas em sala de aula, vimos alguns exemplos.
      Tarefa: Analisar as atividades da unidade 19 e escolher uma para aplicar com os alunos.
    
       Visita da supervisora pedagógica, Lucrécia, para uma conversa sobre os encontros e local dos mesmos.





        

TEXTO sobre o filme Narradores de Javé (dissertativo).

texto dissertativo sobre o filme - tarefa entregue dia 13/09/09.

Sobre o filme Narradores de Javé de Eliane Caffé.



O filme trata de um povoado fictício (Javé) que está prestes a ser inundado para a construção de uma hidrelétrica. Para mudar o rumo dessa destruição o povo fica sabendo que Javé precisa ser tombado como patrimônio histórico. Os moradores descobrem que o único episódio que poderia ser transformado em história de verdade eram as lendas da criação do povoado, histórias contadas pelas pessoas que ali moravam. Na saga dessas pessoas estava explícita a exclusão de serem condenadas sem sua identidade cultural e implícito a exclusão social, de serem engolidos pelo progresso, sendo a pobreza condenada a não ter voz e atitude para influenciar sobre suas próprias vidas.

Dessa forma filme nos incita a reflexão no ato de narrar. Mostrando o verdadeiro sentido e importância da narrativa oral na construção da identidade cultural de um povo. Para escrever o livro que contaria a história de Javé, o povo escolhe Antonio Biá, pois era um dos únicos homens letrados do povoado analfabeto. Biá nos mostra a importância dos relatos orais e do letramento, não só na vida do individuo como também na vida da população. Como um dos clichês mais abordados em filmes brasileiros, o sertão nordestino, a pobreza e o analfabetismo, revelam que mesmo não tendo conhecimento da escrita, não sabendo nem ler e nem sequer escrever, os moradores da cidade eram conhecedores do mundo em que viviam. Tinham conhecimento e discernimento que os tornaram protagonistas de suas próprias histórias, os narradores da criação de uma pequena metrópole. Trata-se de uma história de uma terra em que as divisas eram apalavradas e de valor intransferível à população local.

Como ponto de partida Biá tem que ouvir os relatos e escrever no livro que se transformaria no documento histórico que salvaria a cidade do dilúvio. Em todas as versões o narrador se diz descendente direto do fundador mítico do povoado, bem como os javanenses buscam uma terra distante dos mandos e desmandos do rei. Os relatos diferem inteiramente. No primeiro narrador, a aparição de Indalécio, o heróico comandante dos fugitivos, é a de um destemido bandeirante; bravo cavaleiro guiando seu povo sem saber direito para onde. No segundo relato, feito por uma narradora, a evidência é da heroína Maria Dina, uma corajosa Maria-Bonita comandando um bando de cangaceiros por sertões pedregosos até o alto das chapadas. No terceiro relato, esses dois papéis são completamente mudados: Maria é uma santa demoníaca achada por um pobre Indalécio moribundo de diarréia. Os relatos diferem no tom, passando do épico à farsa. Biá ouve as histórias, mas se esquiva de transcrevê-las no tão esperado livro. Justifica-se dizendo que os relatos deverão ser embelezados pela retórica própria das letras, que “uma coisa é o fato acontecido, outra é o fato escrito”. Entretanto, a retórica não é exclusividade dele, todos querem embelezar as palavras, retocar-lhes o sentido, enquanto alguns defendem sua própria versão, outros propõem que só todas as versões juntas é que dariam conta da verdade.

Os narradores seguintes não recorrem à história remota, seu interesse não é mais se imortalizar através de seus antepassados, mas escrever a história de forma a justificar os interesses do presente. A redação do livro sobre a cidade torna-se um catalisador das agressões do lugar, pois agora ao narrar é agregado esse valor, esse poder de dar razão aos atos. Dois irmãos disputam o espólio paterno argumentando sobre a imponderável noite de núpcias da mãe com uns incestuosos e nada santos gêmeos Cosme e Damião. Novamente relata-se um acontecido que claramente só pode vir a existir pelo duvidoso testemunho dos pais como se fosse diretamente vivenciado pelos irmãos em litígio. Biá novamente se furta a resolver o impasse. Não coloca no papel nenhuma versão, retira-se do local como que a fugir dos incríveis relatos.

Outro relato, o de um homem agoniado sobre como perdeu seu medo, esconde a premeditação de uma vingança que sua história buscará justificar. Frente a esses personagens Biá se perde e não escreve as histórias. Pressionado por todos esses compromissos, o narrador encarregado de salvar a vila se esquiva de sua missão.

A última narrativa ecoa de remanescentes de um quilombo distanciado da vila de Javé. Nessa comunidade isolada à força, a tradição de contar história não morreu, mas caducou numa língua morta, que o jovem intérprete mal consegue entender. O velho narrador pensa estar na África e na sua história o herói é Indaleu, negro guiando a fuga dos escravos.

As histórias não se completam. Como sendo num pesadelo, a frágil barreira de palavras do barraco de Biá é tomada pelas águas. A cidade é invadida pelos engenheiros. Cirílio, um louco adivinho, anuncia o fim. Muitos desistem e deixam a terra. Os moradores desesperados argumentam para o vídeo. Relatam como um último pedido que não deixem as águas levarem seus mortos. A máquina externa responsável pelos últimos registros da vila, o olhar dos técnicos e da modernidade, mostra-os como seres irracionais. As pesquisas de Biá revelam-se inúteis, ele é incapaz de escrever as histórias de Javé e trai os que acreditaram nele. Acusa os moradores de escapismo frente ao inevitável, de buscar nas histórias uma grandiosidade ilusória para não enxergar a vida irrisória que levam. Diz isso andando de costas, como um Anjo da História para o qual passado que é aquela gente.

A cidade é inundada. Seus moradores como seus fundadores, se tornam um bando errante. "Quem ignora sua história está condenado a repeti-la" diz o último plano. Biá retorna e, agora, sem o peso de tantas valorações, as histórias começam a ser contadas por puro prazer. Os moradores tiveram que ser desterrados para poderem contar as histórias de sua terra. Ou ao menos é essa a versão do primeiro narrador, que acrescenta "quem quiser que conte outra", sobre o plano que diz quase textualmente "aqueles que não conhecem a sua história estão fadados a repeti-la."

No filme, vemos explicitamente a importância do letramento, ele nos deixa bem claro o que é letramento, pois no povoado há alguns homens que sabem ler, como por exemplo, quando Biá manda o livro para a população com um bilhete, um dos homens pede ao outro para lê-lo, porém o único letrado é Biá.

Temos o letramento de Biá, quando ele em seu emprego no correio escreve várias cartas sobre a população, notamos que ele consegue transcrever no papel tudo o que quer, ele, embora viva no meio do sertão, está incluso no meio social, é capaz de ler, de compreender e de escrever com um fim social. A importância do letramento é mostrada quando o povoado em sua maioria analfabeto é vencido pela invasão do progresso em suas divisas apalavradas.