quarta-feira, 17 de maio de 2017

releitura dos contos de Clarissa Pinkola


Conto: Pele de Foca, Pele da Alma
De Clarissa Pinkola Estés, do livro Mulheres que correm com lobos.


Uma versão sobre mãe e mulher desse conto.
No conto  Pele de Foca, pele de alma de Clarissa Pinkola, capitulo 9 –  A volta ao lar: O retorno ao próprio self.- muitas são as semelhanças e processos de vivencias em que apresenta o self  e o ego em contraponto, como algo que todos protagonizamos em nossas vidas.
O conto narra a historia de um homem que vivia num tempo que passou para sempre e que irá logo estar de volta. Era um homem muito solitário que tentava ser feliz. Sentia solidão profunda. Uma noite ele viu um movimento de mulheres dançando e se aproximou com o barco, pois era em cima de uma rocha que elas estavam. Logo se encantou e quando as mulheres que estavam nuas se vestiam pra irem embora, ele sorrateiro escondeu uma de suas roupas : a pele de foca, de uma das mulheres, e logo convidou ela pra que ficasse com ele, por durante sete anos, depois prometo lhe devolver a sua pele de foca e você poderá ficar ou ir embora como preferir. Ela ainda lembra que não é da mesma natureza humana. E eladisse que iria com ele até passar os sete verões, aí tomaria a decisão.  E assim com o tempo tiveram um filho a quem deram o nome de Ooruk. Tudo correu bem ela contava histórias de foca , baleias e do salmão para o filho dormir. Certa noite o menino acordou com os gritos da mãe e do  pai,a gritaria era dos pais. Nessa briga a mãe pedia sua pele de foca e o pai insistia que se ela colocasse a pele iria abandonar o filho e ela e seria muito má. Ela reluta, mas parte em busca de sua essência e de seu povo.
Enfim, a história retrata por simbolismo muitas metáforas da vida de todos NÒS, enquanto seres humanos nessa nave chamada Terra. Temos o  “roubo do tesouro”, ou o “roubo da pele”,  como o  afastamento de sua essência pelo homem, que seria o ego, quem mais poderia nos afastar de nossa identidade maior, senão o famoso Ego. O conto se movimenta entre o sagrado masculino e o sagrado feminino dentro de uma cultura de medo, sem encontro com  a verdade. Essa verdade seria a libertação do eu, que ao perder a pele, fica preso a uma mentira ou ilusão. Que acontece no momento em que a mulher no seu ritual de dança, se vê roubada, e iludida pela carência do outro, o homem, aceita, por medo, a viver com ele um ciclo de sete anos. O que podemos dizer que se parece com todo nascimento, quando nos entregamos ao nascer e romper as barreiras do transporte de outra vida , outra experiência, aceitamos por amor. Mas , quando nascemos , já bem logo nessa hora nos separam de nossas mães, e assim ficamos num choro, que faz despertar o medo da solidão, e assim ficamos  durante muitos ciclos de sete anos , até despertar para uma nova consciência. Esse  entre outros símbolos são trabalhados nesse conto.
O conto tem muitas representações da psique da mulher e do seu sagrado.  A que mais me encantou foi a passagem que mostra o valor da maternidade. Assim:
“”—  Ah, mamãe, não, não, não — choramingou a criança. Ela se voltou para ele com uma expressão de profundo amor nos olhos. Segurou o rosto do menino nas mãos e soprou para dentro dos pulmões do menino seu doce alento, uma vez, duas, três vezes. Depois, com o menino debaixo do braço como uma carga preciosa, ela mergulhou bem fundo no mar e cada vez mais fundo. A mulher-foca e seu filho não tinham dificuldade para respirar debaixo d'água.[..]”
“Estou sempre com você — afiançou-lhe sua mãe. — Basta que você toque algum objeto que eu toquei, minhas varinhas de fogo, minha ulu, faca, minhas esculturas de pedra de focas e lontras, e eu soprarei nos seus pulmões um fôlego especial para que você cante suas canções.”
Sim, a mãe é figura muito especial pra todos os seres.  Nesse trecho temos a representação de algumas figuras da mãe, ou papéis que a figura da mãe assume.
 A mãe provedora – aquela que dá a vida, que gera-  O nascer como um sopro nos pulmões traz a vida ao ser, e é o que acontece no ultimo mês da gestação, a perfeita formação do aparelho respiratório que irrompe na vida, aos nove meses, ou como dizem quarenta semanas de gestação. A essência de vida que nos abençoa a mãe Terra com o ar, nosso bom oxigênio de cada dia. Sem ele não sobreviveríamos.
A mãe protetora – aquela que ensina e segura na mão e diz vem comigo - E na despedia, da mãe e do filho, ela diz o quanto ligada a  ale ainda estará , mesmo estando distante terá como estabelecer um contato e ainda uma comunicação que  poderá ajudar no momento da saudade, ou da solidão, ou do medo. O fio condutor desse e contato será  o olhar. Como é importante o olhar de mãe e filho, de pai e filho, de irmãos, no olhar se estabelece a cura, a saúde o amor, o perdão, a vida.
A mãe salvadora – aquela que vem sempre pra ajudar – quando a mãe diz que ao tocar algo que foi dela ele poderá sentir a sua força a ajuda.

A mãe criativa - aquela que estimula e incentiva – quando a mãe conta histórias da sua vivencia, ela desperta na criança os seus sonhos, sua alegria, seu mundo feliz do faz de conta. Ela assume o papel de modelo da criança livre. 

por Marisa Rost
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