sábado, 3 de junho de 2017
quarta-feira, 17 de maio de 2017
releitura dos contos de Clarissa Pinkola
Conto: Pele de Foca, Pele da Alma
De Clarissa Pinkola Estés, do livro Mulheres que correm com lobos.
Uma versão sobre mãe e mulher desse conto.
No conto Pele de Foca, pele de
alma de Clarissa Pinkola, capitulo 9 – A
volta ao lar: O retorno ao próprio self.- muitas são as semelhanças e processos
de vivencias em que apresenta o self e o
ego em contraponto, como algo que todos protagonizamos em nossas vidas.
O conto narra a historia de um homem que vivia num tempo que passou para
sempre e que irá logo estar de volta. Era um homem muito solitário que tentava
ser feliz. Sentia solidão profunda. Uma noite ele viu um movimento de mulheres
dançando e se aproximou com o barco, pois era em cima de uma rocha que elas
estavam. Logo se encantou e quando as mulheres que estavam nuas se vestiam pra
irem embora, ele sorrateiro escondeu uma de suas roupas : a pele de foca, de
uma das mulheres, e logo convidou ela pra que ficasse com ele, por durante sete
anos, depois prometo lhe devolver a sua pele de foca e você poderá ficar ou ir
embora como preferir. Ela ainda lembra que não é da mesma natureza humana. E
eladisse que iria com ele até passar os sete verões, aí tomaria a decisão. E assim com o tempo tiveram um filho a quem
deram o nome de Ooruk. Tudo correu bem ela contava histórias de foca , baleias
e do salmão para o filho dormir. Certa noite o menino acordou com os gritos da
mãe e do pai,a gritaria era dos pais.
Nessa briga a mãe pedia sua pele de foca e o pai insistia que se ela colocasse
a pele iria abandonar o filho e ela e seria muito má. Ela reluta, mas parte em
busca de sua essência e de seu povo.
Enfim, a história retrata por simbolismo muitas metáforas da vida de
todos NÒS, enquanto seres humanos nessa nave chamada Terra. Temos o “roubo do tesouro”, ou o “roubo da pele”, como o afastamento de sua essência pelo homem, que
seria o ego, quem mais poderia nos afastar de nossa identidade maior, senão o
famoso Ego. O conto se movimenta entre o sagrado masculino e o sagrado feminino
dentro de uma cultura de medo, sem encontro com
a verdade. Essa verdade seria a libertação do eu, que ao perder a pele,
fica preso a uma mentira ou ilusão. Que acontece no momento em que a mulher no
seu ritual de dança, se vê roubada, e iludida pela carência do outro, o homem,
aceita, por medo, a viver com ele um ciclo de sete anos. O que podemos dizer
que se parece com todo nascimento, quando nos entregamos ao nascer e romper as
barreiras do transporte de outra vida , outra experiência, aceitamos por amor.
Mas , quando nascemos , já bem logo nessa hora nos separam de nossas mães, e
assim ficamos num choro, que faz despertar o medo da solidão, e assim
ficamos durante muitos ciclos de sete
anos , até despertar para uma nova consciência. Esse entre outros símbolos são trabalhados nesse
conto.
O conto tem muitas representações da psique da mulher e do seu sagrado. A que mais me encantou foi a passagem que
mostra o valor da maternidade. Assim:
“”— Ah,
mamãe, não, não, não — choramingou a criança. Ela se voltou para ele com uma
expressão de profundo amor nos olhos. Segurou o rosto do menino nas mãos e
soprou para dentro dos pulmões do menino seu doce alento, uma vez, duas, três
vezes. Depois, com o menino debaixo do braço como uma carga preciosa, ela
mergulhou bem fundo no mar e cada vez mais fundo. A mulher-foca e seu filho não
tinham dificuldade para respirar debaixo d'água.[..]”
“Estou sempre com você — afiançou-lhe
sua mãe. — Basta que você toque algum objeto que eu toquei, minhas varinhas de
fogo, minha ulu, faca, minhas esculturas de pedra de focas e lontras, e eu
soprarei nos seus pulmões um fôlego especial para que você cante suas canções.”
Sim, a mãe é figura
muito especial pra todos os seres. Nesse
trecho temos a representação de algumas figuras da mãe, ou papéis que a figura
da mãe assume.
A mãe provedora – aquela que dá a vida, que
gera- O nascer como um sopro nos pulmões
traz a vida ao ser, e é o que acontece no ultimo mês da gestação, a perfeita formação
do aparelho respiratório que irrompe na vida, aos nove meses, ou como dizem
quarenta semanas de gestação. A essência de vida que nos abençoa a mãe Terra
com o ar, nosso bom oxigênio de cada dia. Sem ele não sobreviveríamos.
A mãe protetora –
aquela que ensina e segura na mão e diz vem comigo - E na despedia, da mãe e do
filho, ela diz o quanto ligada a ale
ainda estará , mesmo estando distante terá como estabelecer um contato e ainda
uma comunicação que poderá ajudar no
momento da saudade, ou da solidão, ou do medo. O fio condutor desse e contato
será o olhar. Como é importante o olhar
de mãe e filho, de pai e filho, de irmãos, no olhar se estabelece a cura, a
saúde o amor, o perdão, a vida.
A mãe salvadora –
aquela que vem sempre pra ajudar – quando a mãe diz que ao tocar algo que foi
dela ele poderá sentir a sua força a ajuda.
A mãe criativa - aquela
que estimula e incentiva – quando a mãe conta histórias da sua vivencia, ela
desperta na criança os seus sonhos, sua alegria, seu mundo feliz do faz de
conta. Ela assume o papel de modelo da criança livre.
por Marisa Rost
ost
Assinar:
Comentários (Atom)
